Capítulo XI De Nossa Senhora Babalon e da Besta Sobre a Qual Ela Monta - Também Sobre as Transformações.

I

Os conteúdos desta seção, na medida em que dizem respeito a Nossa Senhora, são demasiadamente importantes e sagrados para serem impressos. Eles só são comunicados pelo Mestre Therion aos alunos escolhidos e em instrução privada.

II

O trabalho mágico essencial, à parte de qualquer operação em particular, é a formação adequada do Ente Mágico ou Corpo de Luz. Este processo será discutido com algum pormenor no Capítulo XVIII.

Nós vamos assumir aqui que o magista conseguiu desenvolver o seu Corpo de Luz até que ele seja capaz de ir a qualquer lugar e fazer qualquer coisa. Haverá, contudo, certa limitação ao seu trabalho, porque ele formou seu corpo mágico da matéria sutil de seu próprio elemento. Portanto, embora ele possa ser capaz de penetrar os recessos máximos dos céus, ou conduzir vigorosos combates com os demônios mais impronunciáveis do abismo, pode ser impossível para ele fazer algo tamanho como derrubar um vaso de uma lareira. Seu corpo mágico é composto de matéria tênue demais para afetar diretamente a matéria bruta do qual as ilusões tais como mesas e cadeiras são feitas. 1)

Houve uma grande discussão no passado dentro dos Colégios do Espírito Santo, se seria perfeitamente legítimo buscar transcender essa limitação. Não se presume a necessidade de julgar. Pode-se deixar a decisão à vontade de cada magista.

O Livro dos Mortos contém muitos capítulos destinados a permitir que a entidade mágica de um homem que está morto, e assim privado (de acordo com a atual teoria da morte) do veículo material para a execução de sua vontade, a assumir a forma de certos animais, como um falcão dourado ou um crocodilo, e em tal forma vagar na terra “tendo a sua vontade entre os vivos.” 2)

Como regra geral, a matéria foi fornecida a partir do qual ele poderia construir o partícipe da referida segunda parte, designado como o falcão.

Não precisamos, no entanto, considerar esta questão da morte. Ela pode muitas vezes ser conveniente para os vivos vagar no mundo em alguns tais incógnitos. Agora, então, conceba este corpo mágico como uma força criativa, buscando a manifestação; como um Deus, buscando encarnação.

Existem duas maneiras pelas quais este objetivo pode ser efetuado. O primeiro método é criar um corpo apropriado a partir de seus elementos. Isto é, em geral, uma coisa muito difícil de se fazer, porque a constituição física de qualquer ser material com muito poder é, ou pelo menos deveria ser, o resultado de séculos de evolução. No entanto, existe um método legítimo de produzir um homúnculo que é ensinado em uma determinada organização secreta, talvez conhecida por alguns dos que possam ler este texto, que poderia muito facilmente ser adaptado para tal finalidade, como estamos agora discutindo.

O segundo método soa muito fácil e cômico. Você toma algum organismo já existente, que passa a ser adequado à sua finalidade. Você expulsa o ser mágico que o habita, e toma posse. Fazer isso à força não é fácil e nem justificável, porque o ser mágico do outro foi encarnado de acordo com sua Vontade. E “… tu não tens direito senão fazer a tua vontade”. Não se deve deformar esta frase para fazer a sua própria vontade incluir a de derrubar a de outra pessoa! 3)

Além disso, é extremamente difícil exilar assim o outro ser mágico; pois embora, a menos que seja um microcosmo completo como um ser humano, não possa ser chamado de uma estrela, é um pouco de uma estrela, e parte do corpo de Nuit.

Mas não há nenhuma exigência para toda esta atrocidade. Não há necessidade de derrubar a menina, a menos que ela se recuse a fazer o que você quer, e ela sempre vai concordar se você disser algumas coisas legais para ela. 4)

Você sempre pode usar o corpo habitado por um elemental, como uma águia, lebre, lobo, ou qualquer animal conveniente, fazendo um acordo muito simples. Você assume a responsabilidade pelo animal, assim, estabelecendo-o em sua própria hierarquia mágica. Isso representa um ganho enorme para o animal. 5)

Isso cumpre completamente a sua ambição por uma aliança deste tipo extremamente íntimo com uma Estrela. O magista, por outro lado, é capaz de transformar e se retransformar de mil maneiras, aceitando um acompanhamento de tais seguidores. Desta forma, a projeção do “astral” ou Corpo de Luz pode ser absolutamente tangível e prática. Ao mesmo tempo, o magista deve perceber que ao responsabilizar-se pelo Carma de qualquer elemental, ele está assumindo uma responsabilidade muito séria. O vínculo que o une com esse elemental é o amor; e embora isso seja apenas uma pequena parte do equipamento de um magista, é o equipamento inteiro do elemental. Ele irá, portanto, sofrer intensamente, no caso de qualquer erro ou infortúnio que ocorrer a seu protegido. Este sentimento é bastante peculiar. É muito instintivo com os melhores homens. Eles ouvem a destruição de uma cidade de alguns milhares de habitantes com completa frieza, mas depois ouvem falar de um cão ter machucado a pata, eles sentem a Weltschmertz agudamente.

Não é necessário dizer muito mais do que isso sobre as transformações. Aqueles a quem o assunto naturalmente atrai irão prontamente compreender a importância do que foi dito. Aqueles que são inclinados ao contrário podem refletir que um aceno de cabeça é tão bom quanto uma piscadela de um cavalo cego.


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1)
A única operação “física” realmente fácil que o Corpo de Luz pode fazer é o “Congressus subtilis”. As emanações do “Corpo de Desejo” do ente material que alguém visita são, se a visita for agradável, tão potente que alguém espontaneamente ganha substância no abraço. Há muitos casos registrados de Crianças terem nascido como resultado de tais uniões. Veja o trabalho de De Sinistrari sobre Íncubos e Súcubos para uma discussão de fenômenos similares.
2)
Ver O Livro das Mentiras Cap. 44, e The Collected Works of Aleister Crowley, vol. III, pág. 209-210, onde ocorrem as traduções parafraseadas de certos rituais clássicos egípcios.
3)
No entanto, pode acontecer que a Vontade do outro seja convidar o Magista a habitar o seu instrumento.
4)
Especialmente sobre o assunto da Baqueta ou do Disco.
5)
Este é o aspecto mágico da ingestão de alimentos de origem animal, e sua justificativa, ou melhor, a conciliação entre a contradição aparente entre os elementos carnívoros e humanitários na natureza do “Homo Sapiens”.


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