Capítulo XX Da Eucaristia e da Arte da Alquimia

I

Uma das mais simples e mais completas cerimônias mágicas é a Eucarística.

Consiste em tomar coisas comuns, transmutá-las em coisas vivas, e consumi-las.

Até aí, é um tipo de toda cerimônia mágica, uma vez que a reabsorção da força é uma espécie de ingestão; mas tem uma aplicação mais restrita, como segue.

Tome-se uma substância 1) simbólica do curso inteiro da natureza; tornar-se-á Deus, e se a absorva.

Há muitas formas de se fazer isto; mas elas podem facilmente ser classificadas de acordo com o número dos elementos de que o sacramento é composto.

A mais elevada forma da Eucarística é aquela em que o Elemento consagrado é Um.

É uma substância e não duas, nem viva nem morta, nem líquida nem sólida, nem quente nem fria, nem macha nem fêmea.

Este sacramento é secreto em todos os sentidos. Para aqueles que possam ser merecedores, se bem que não oficialmente reconhecidos como tais, esta Eucarística foi descrita em detalhe e claramente, algures nas obras publicadas do Mestre Therion. Mas ele não disse a ninguém onde. Está reservada aos mais altos iniciados, e é sinônima com a Obra executada no plano material. É a Medicina de Metais, a Pedra dos Filósofos, o Ouro Potável, o Elixir da Vida que é consumido ali. O altar é o seio de Ísis, a eterna mãe; o cálice é, com efeito, a Taça de Nossa Senhora Babalon Mesma; a Baqueta é o que Foi, É e Será.

A Eucarística de dois elementos toma sua matéria dos passivos. A hóstia (pantáculo) é de trigo, típico da terra; o vinho (taça) representa a água. (Há certas outras atribuições. Por exemplo, a Hóstia é o Sol; e o vinho é apropriado a Baco.)

A hóstia pode, no entanto, ser mais complexa: o “Bolo de Luz” descrito em Liber Legis.

Este é usado na exotérica Missa da Fênix, misturado com o sangue do Magus. Esta missa deveria ser executada diariamente ao pôr-do-sol por todo magista.

Trigo e vinho são equivalentes à carne e sangue; mas é mais fácil converter substâncias vivas no corpo e sangue de Deus do que executar este milagre sobre matéria morta.

A Eucarística de três elementos tem por base os símbolos das três Gunas. Para Tamas (escuridão) tome-se ópio ou alguma medicina soporífica; para Rajas (atividade) tome-se estricnina ou outro excitante; para Sattvas (calma) os Bolos de Luz podem novamente ser utilizados. 2)

A Eucarística de quatro elementos consiste de fogo, ar, água e terra. Estes são representados por uma flama para o fogo, por incenso ou rosas para o ar, por vinho para a água, e por pão e mel para a terra.

A Eucarística de cinco elementos tem por base vinho para o gosto, a rosa para o olfato, uma flama para a visão, um sino para a audição, e uma adaga para o tato. Este sacramento está implicado na Missa da Fênix de uma maneira ligeiramente diversa.

A Eucarística de seis elementos tem Pai, Filho e Espírito Santo acima; alento, água e sangue abaixo. É um sacramento reservado para altos iniciados. 3)

A Eucarística de sete elementos é misticamente idêntica com a de um.

Do método de consagrar os elementos é apenas necessário dizermos que eles devem ser tratados como talismãs. O círculo e outro mobiliário do Templo deveria receber o benefício usual dos banimentos e consagrações. O Juramento deve ser pronunciado e as Invocações feitas. Quando a força divina se manifestar nos elementos, eles devem ser solenemente consumidos. Há também um método mais simples de consagração, reservado aos iniciados de alto grau, do qual é proibido falar aqui.

De acordo com a natureza do Sacramento, assim serão seus resultados. Em alguns podemos receber uma graça mística, culminando em Samadhi; em outros, um benefício mais simples e mais material pode ser obtido.

O mais elevado sacramento, aquele do elemento Único, é universal em sua operação; de acordo com o propósito declarado da operação, assim será o resultado dela. É uma Chave universal de toda Magia.

Estes segredos são de suprema importância prática, e são guardados no Santuário com uma espada de dois gumes que flameja em toda direção 4); pois este sacramento é a Árvore da Vida mesma, e quem partilha do fruto dela nunca morrerá 5).

A não ser que ele queira. Quem não preferiria trabalhar através de encarnação, uma verdadeira renovação do corpo e cérebro, em vez de se contentar com uma imortalidade estagnada sobre este grão de pó na Luz do Sol do Universo, chamado por nós de terra?

Quanto às preparações para tais Sacramentos, a Igreja Romana tem mantido bem as tradições da Igreja Católica Gnóstica, que guarda os segredos 6).

A Castidade 7) é uma condição; jejum por algumas horas prévias é uma condição; uma aspiração contínua e séria é uma condição. Sem estes antecedentes, mesmo a Eucarística de Um e Sete é parcialmente impedida em seu efeito, se bem que tal é sua virtude intrínseca que nunca pode sê-lo por completo.

Uma Eucarística de algum tipo deveria certamente ser consumida diariamente por todo magista, e ele deveria considerá-la como o sustento principal da sua vida mágica. É de maior importância que qualquer outra cerimônia mágica, porque é um círculo completo. A força gasta é toda ela reabsorvida; no entanto, a virtude é aquele vasto ganho representado pelo abismo entre Homem e Deus.

O Magista se enche de Deus, se alimenta de Deus, se embriaga com Deus. Pouco a pouco seu corpo se purificará pela lustração interna de Deus; dia a dia sua forma mortal, descartando os elementos terrenos, se tornará e, verdade o Templo do Espírito Santo. Dia a dia matéria é substituída por Espírito, o humano pelo divino, finalmente, a mudança será completa; Deus manifestado em carne será o seu nome.

Este é o mais importante dos segredos mágicos que já foram ou são ou podem vir a ser. Para um Magista assim renovado, a consecução do Conhecimento e Conversação do Sagrado Anjo Guardião se torna uma tarefa inevitável; toda força da sua natureza, desimpedida, tende àquele fito e alvo de cuja natureza nem homem nem deus podem falar, pois está infinitamente além da fala, ou do pensamento, ou do êxtase, ou do silêncio. Samadhi e Nibbana são apenas suas sombras projetadas sobre o universo.

II

Se o Mestre Therion não conseguir mais com este livro que demonstrar a continuidade da natureza e a uniformidade da Lei, ele sentirá que seu trabalho não foi em vão. Em seu planejamento original da Parte III ele não tencionara incluir qualquer referência à alquimia. Tem sido geralmente considerado que este assunto nada tem que a ver com a Magia regular, tanto em âmbito quanto em método. Será o principal objetivo da descrição que segue estabelecer a alquimia como um ramo da Magia, e mostrar que ela pode ser considerada simplesmente como um caso particular da proposição geral – diferindo da Magia evocatória e talismânica apenas nos valores que são representados pelas quantidades desconhecidas nas equações pantomórficas.

Não há necessidade de fazermos qualquer tentativa sistemática de decifrar o linguajar de tratados herméticos. Não precisamos entrar numa discussão da história da alquimia. É suficiente dizermos que a palavra alquimia é um termo árabe consistindo do artigo “al” e do adjetivo “khemi”, que significa “aquilo que é do Egito” 8). Uma tradução tosca seria: “O assunto egípcio”. A dedução é que os gramáticos maometanos mantinham tradicionalmente que a arte derivara daquela sabedoria dos egípcios de que Moisés, Platão e Pitágoras se gabaram como fonte de sua iluminação.

Pesquisa moderna (por letrados profanos) ainda deixa em dúvida se os tratados de alquimia devem ser considerados místicos, mágicos, médicos ou químicos. A opinião mais razoável é que todos esses objetivos formaram a preocupação dos alquimistas, em proporções várias. Hermes é ao mesmo tempo o Deus de Sabedoria, Taumaturgia, terapêutica, e ciência física. Todas essas podem consequentemente reclamar o título de ciências herméticas. Não pode ser duvidado que escritores como Fludd aspiraram à perfeição espiritual. É igualmente seguro que Edward Kelly escreveu primariamente do ponto de vista de um Magista; que Paracelso se dedicou à cura de doenças e à promulgação da vida como primeira consideração, se bem que suas maiores consecuções parecem, a pensadores modernos, consistir antes nas suas descobertas do ópio, do zinco e do hidrogênio; de forma que tendemos a pensar nele como um químico não menos que um Von Helmont, cuja concepção da natureza dos gases o qualifica como um desses raros gênios que aumentaram o conhecimento humano por alguma ideia de importância fundamental.

A literatura da alquimia é imensa. Praticamente toda ela é total ou parcialmente ininteligível. Seus tratados, do Æsch Metzareph dos hebreus até a Carruagem do Antimônio, são deliberadamente enunciados em enigmas hieráticos. Perseguição eclesiástica e a profanação dos segredos de poder eram igualmente temidas. Pior ainda, do nosso ponto de vista: este motivo induziu escritores a inserirem afirmações intencionalmente enganosas, para desnortear mais ainda os não merecedores que pretendessem aos seus mistérios.

Nós não nos propomos a discutirmos aqui qualquer dos processos em si. A maior parte dos leitores já estará cônscia de que os principais objetivos da alquimia eram a Pedra dos Filósofos, a Medicina de Metais, e várias outras tinturas e elixires possuindo diversas virtudes; em particular, as de curar doenças, prolongar a vida, aumentar as habilidades humanas, aperfeiçoar a natureza do homem em todos os respeitos, conferir poderes mágicos, e transmutar substâncias materiais, especialmente os metais, em formas valiosas.

O assunto é complicado ainda mais pelo fato que muitos dos autores eram charlatões sem escrúpulos. Ignorantes dos primeiros elementos da arte, eles copiavam sem pejo, e colhiam ganhos fraudulentos. Eles se aproveitavam da ignorância geral, e da convenção de mistério, precisamente da mesma forma que seus modernos sucessores no assunto de todas as ciências ocultas.

Mas a despeito disto tudo, uma coisa é bastante clara: todos os escritores sérios, se bem que eles parecem falar de uma infinidade de assuntos diversos, tanto que se provou impossível à moderna pesquisa analítica identificar a verdadeira natureza de qualquer dos seus processos, concordavam quanto à teoria fundamental na qual baseavam as suas práticas. Parece à primeira vista que nem sequer dois deles estavam de acordo quanto à natureza da “matéria prima” da Obra. Eles a descrevem em uma desnorteadora multiplicidade de símbolos ininteligíveis. Não temos motivos para supor que estavam todos falando da mesma coisa, ou até que não estavam. O mesmo se aplica a todo reagente e a todo processo, não menos que ao produto ou produtos finais.

No entanto, debaixo dessa diversidade toda, podemos perceber uma identidade obscura. Eles começam todos com uma substância natural que é descrita como existindo em quase toda parte, e como geralmente considerada sem valor. O alquimista deve, em todos os casos, tomar esta substância e submetê-la a uma série de operações. Assim fazendo, ele obtém seu produto. Este produto, não importa como seja nomeado ou descrito, é sempre uma substância que representa a verdade ou perfeição daquela “Primeira Matéria” original; e suas qualidades são invariavelmente as de um ser vivo, não de uma massa inanimada. Em uma palavra, o alquimista deve tomar uma coisa morta, impura, sem valor e sem poder, e transformá-la numa coisa viva, ativa, preciosa e taumatúrgica.

O leitor deste livro seguramente verá que está é uma notável analogia com aquilo que já dissemos sobre os processos da Magia. Que é, na nossa definição, a iniciação? A Matéria Prima é um homem, isto é, um parasita perecível, engendrado da crosta da terra, que rasteja irritado nesta crosta por algum tempo, e finalmente retorna ao pó de que se ergueu. O processo da iniciação consiste em remover suas impurezas, e encontrar em seu verdadeiro ser uma inteligência imortal para a qual a matéria não é mais que um meio de manifestação. O iniciado é eternamente individual; ele é inefável, incorruptível, imune a tudo. Ele possui infinita sabedoria e infinito poder em si mesmo. Esta equação é idêntica com a de um talismã. O Magista toma uma ideia, purifica-a, intensifica-a, intensifica-a ao invocar a inspiração de sua alma. Não é mais um rabisco num pergaminho, mas uma palavra de Verdade, imperecível, com poder para prevalecer dentro de sua esfera de propósito. A evocação de um espírito é precisamente similar em essência. O exorcista toma substâncias materiais mortas, de uma natureza simpática ao ente que ele tenciona invocar. Ele bane todas as impurezas daquilo, evita toda interferência com aquilo, e passa a dar a vida à substância sutil assim preparada, instilando nela sua alma.

Novamente, nada há nisto de exclusivamente “mágico”. Rembrandt Von Ryn costumava juntar certo número de minérios e de outras substâncias em estado grosseiro. Deste ele bania as impurezas, e consagrava-os ao seu trabalho, pela preparação de telas, pincéis e cores. Isto feito, ele compelia essas coisas a assumirem a estampa da alma dele; dessas baças, inválidas criaturas da terra ele criava um ente vital e poderoso de verdade e beleza. Qualquer pessoa que tenha chegado a uma clara compreensão da natureza se surpreenderia se houvesse qualquer diferença na essência dessas várias fórmulas. As leis naturais se aplicam igualmente em todas as possíveis circunstâncias.

Nós estamos agora aptos a compreender o que é a alquimia. Nós poderíamos até ir além, e dizer que, mesmo que não tivéssemos jamais ouvido falar dela, saberíamos o que ela deve ser.

Acentuemos o fato de que o produto final é, em todos os casos, um ser vivo. Tem sido a grande dificuldade de investigadores modernos que as afirmações dos alquimistas não podem ser interpretadas de outra forma. Do ponto de vista da química, não parece ser impossível, a priori, que o chumbo possa ser transmutado em ouro. Nossa recente descoberta da periodicidade dos elementos faz parecer provável, pelo menos em teoria, que os nossos elementos aparentemente imutáveis são todos modificações de um elemento único. A química orgânica, com suas metáteses e sínteses dependentes da concepção das moléculas como estruturas geométricas, demonstrou uma prática que dá corpo a esta teoria; e as propriedades do Rádio 9) obrigaram a Velha Guarda de cientistas a uma retirada do bastião, cuja bandeira era a heterogeneidade essencial dos elementos. As doutrinas da evolução puseram as teorias químicas e monística da matéria em linha com a nossa concepção da vida; o colapso da muralha entre os reinos animal e vegetal fez estremecer aquela que separava os dois do reino mineral.

Mas mesmo se o químico ponderado pudesse admitir a possibilidade da transformação do chumbo em ouro, ele não poderia conceber aquele ouro senão como metálico, da mesma ordem natural do chumbo do qual foi derivado. Que esse ouro possuísse o poder de se multiplicar, ou de agir como um fermento sobre outras substâncias, parecia-lhe tão absurdo que ele se sentiu obrigado a conclusão que os alquimistas que reclamavam estas propriedades para seu Ouro deveriam, afinal de contas, estar se referindo não à química, mas a operações espirituais cuja a santidade exigia um véu de simbolismo, tal como o uso criptográfico da linguagem do laboratório.

O Mestre Therion acha que sua presente redução de todos os casos da arte da Magia a uma fórmula única elucidará e reivindicará a alquimia, e estenderá a concepção da química para incluir todas as classes de Mudança.

Existe uma óbvia limitação de nossas propostas operações: Como a fórmula de qualquer Obra extrai e torna visível a Verdade de qualquer “Matéria Prima”, a “Pedra” ou “Elixir” que resultará de nossa obra será o puro e perfeito Individuo originalmente inerente à substância escolhida, e nada mais. O jardineiro mais perito não pode produzir lírios de uma roseira silvestre; suas rosas sempre são rosas, por mais que ele tenha aperfeiçoado as qualidades da planta.

Não há nisto contradição com nossa tese prévia da definitiva unidade de todas as substâncias. É verdade que Fulano e Sicrano são ambos modificações do Pleroma. Ambos desaparecem no Pleroma quando atingem Samadhi. Mas eles não são permutáveis como modificações individuais; o iniciado Fulano não é o iniciado Sicrano, mais do que Fulano, o alfaiate, é Sicrano, o dono de loja de ferragens. Nossa habilidade na produção de anilinas não nos habilita a abandonar a anilina como matéria básica de nossas tinturas, e a usar açúcar no lugar dela. Assim, os alquimistas disseram: “Para fazer ouro você deve usar ouro”; a arte deles consistia em trazer cada substância à perfeição de sua natureza.

Sem dúvida, parte deste processo incluía o retiro da essência da “Matéria Prima” à homogeneidade de “Hyle”, da mesma forma que a iniciação consiste na aniquilação do indivíduo na Infinidade Impessoal da Existência, para emergir uma vez mais como um Eidolon menos confuso e deformado da Verdade de Si Mesmo. Esta é a garantia de que ele não é contaminado por elementos alheios. O “Elixir” deve possuir a atividade de uma substância “nascente”, da mesma forma que o hidrogênio “nascente” se combina com o arsênico (no teste de Marsh), enquanto a forma ordinária do gás é inerte. De novo, o oxigênio satisfeito pelo sódio ou diluído pelo nitrogênio não atacará materiais combustíveis com a veemência característica do gás puro.

Nós podemos resumir esta tese dizendo que a Alquimia inclui tantas possíveis operações quanto há ideias originais inerentes na natureza.

A alquimia se assemelha à evocação em sua seleção de bases materiais apropriadas para a manifestação da Vontade; mas difere dela por operar sem personificação, ou intervenção de planos alheios 10). Pode ser melhor comparada com a Iniciação; pois o elemento ativo do Produto é da essência da própria natureza deste, e inere a ela; a Obra consiste em isolá-lo de suas acreções.

Agora, tal como o Aspirante, no Umbral da Iniciação, se vê atacado pelos “complexos” que o corromperam, a exteriorização deles o excruciando, e sua agoniada relutância à eliminação deles mergulhando-o em ordálios tais que ele parece (tanto a si quanto a outros) ter se tornado, de um homem nobre e correto, em um canalha inominável; da mesma maneira a Matéria Prima se enegrece e putrefaz na medida em que o Alquimista quebra as suas coagulações de impureza.

O estudante pode elaborar para si mesmo as várias analogias envolvidas, e descobrir o “Dragão Negro”, o “Leão Verde”, a “Água Lunar”, a “Cabeça de Corvo”, e assim por diante. As indicações dadas acima deveriam ser suficientes para todos que possuam aptidão para Pesquisa Alquímica.

Apenas uma reflexão mais parece necessária: a saber, que a característica, que é o assunto com o qual este capítulo apropriadamente se ocupa, pode ser concebida como um caso – como o caso crítico – da Arte do Alquimista.

O leitor terá observado, talvez com surpresa, que o Mestre Therion descreveu diversos tipos de Eucarística. O motivo é o dado acima; não existe nenhuma substância incompetente para servir de elemento em algum Sacramento; também, cada Graça espiritual deveria possuir sua forma peculiar de Missa e, portanto, sua própria materia magica 11). É completamente contra o espírito científico tratar “Deus” como uma homogeneidade universal, e usar os mesmos meios para prolongar a vida que usamos para enfeitiçar gado. Não invocamos a “Eletricidade” indiscriminadamente para iluminar nossa casa e propelir nosso carro; trabalhamos pela aplicação ponderada de nossos poderes à compreensão analítica inteligente das condições de cada caso separado.

Existe uma Eucarística para toda Graça de que podemos necessitar; devemos perceber características essenciais em cada caso, selecionar Elementos apropriados, e imaginar processos apropriados.

Para considerarmos os problemas clássicos da Alquimia: a Medicina dos Metais deve ser a quintessência de alguma substância que serve para determinar a estrutura (ou escala vibratória), cuja manifestação são as qualidades metálicas características. Isto não necessita de forma alguma ser uma substância química no senso ordinário da palavra.

O Elixir da Vida consistirá de um organismo vivo capaz de crescer à custa de seu meio ambiente; e de tal natureza que a sua “Vontade” é fazer com que aquele meio ambiente lhe sirva como meio de expressão no mundo físico da vida humana.

A Medicina Universal deverá ser um mênstruo de tal natureza que seja capaz de penetrar toda matéria e transmutá-la no senso de sua própria tendência, e de tal imparcial pureza que aceitará perfeitamente a impressão da Vontade do Alquimista. Esta substância, adequadamente preparada e adequadamente dinamizada, é capaz de executar todas as coisas fisicamente possíveis dentro dos limites da proporção de seu momentum à inércia do objeto à qual é aplicada.

Concluindo, podemos observar que, lidando com formas de Matéria-Movimento sutis como esta, não é suficiente atravessarmos o pons asinorum 12) do conhecimento intelectual.

O Mestre Therion possui há muitos anos a teoria destes Poderes; mas a prática dele ainda está em progresso. Mesmo eficiência na preparação não é tudo; há necessidade de sermos judiciosos na manipulação, e destros na administração, do produto. O Mestre não executa milagres ao acaso, mas aplica sua ciência e habilidade de acordo com as leis da natureza.


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1)
Esta pode ser de caráter composto.
2)
Os Bolos de Luz são universalmente utilizáveis; eles contêm trigo integral, mel e óleo (proteínas, carboidratos e gorduras, as três necessidades da nutrição humana); também, perfumes dos três tipos essenciais de virtudes curativa e mágica, e o princípio sutil da vida animal mesma são fixados neles pela introdução de sangue vivo, fresco.
3)
A Lança e o Graal são primeiro dedicados ao Santo Espírito da Vida, em Silêncio. O Pão e o Vinho são então fermentados e manifestados por vibração, e recebidos pela Mãe Virgem. Os elementos são então misturados e consumidos após a Epifânia de Baco, quando “Face contempla Face”.
4)
J.K. Huysmans, que tinha medo deles, e tentou trair o pouco que sabia deles, tornou-se um papista e morreu de câncer da língua.
5)
O uso do Elixir da Vida só é justificável em circunstâncias especiais. Ir contra o curso natural de Mudança é aproximar-se perigosamente do curso dos “Irmãos Negros”.
6)
Veja-se, no Missal Romano, o Cânon da Missa, e o capítulo sobre “defeitos”.
7)
A palavra Castidade é empregada por iniciados para significar certo estado de mente e alma que determina certo hábito do corpo que não é de forma alguma idêntico àquilo que é geralmente entendido. Castidade, no verdadeiro sentido mágico da palavra, é inconcebível àqueles que não estão completamente emancipados da obsessão do sexo.
8)
Esta derivação difere daquela de certos etimologistas. Eu não posso fazer mais que apresentar minha opinião.
9)
Rádio, o elemento químico.
10)
Alguns alquimistas podem protestar contra está declaração. Eu prefiro não expressar qualquer opinião final quanto ao assunto.
11)
Latim, “material mágico”.
12)
Latim, “obstáculo”.


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