Introdução e Teoremas

Os Sinais dos Graus
{Ilustração da página VIII descrita:
Este é o conjunto de fotos originalmente publicado na página 12 do EQUINOX I, 2 aqui com o título de: “Os Sinais dos Graus.”}

“Eσσεαι άθάνατος θεός, άμβροτος, όυκ έτι θνητός.”

– Pitágoras

“Magick é o conhecimento mais elevado, mais absoluto e mais divino no que se refere à Filosofia Natural, avançando em seu trabalho e operações maravilhosas, com um correto conhecimento das ocultas e internas virtudes das coisas, assim, para poder aplicar Agentes corretos em pacientes Adequados, produzindo estranhos e admiráveis efeitos. Quando os Magos são buscadores profundos e cuidadosos na natureza, eles, por seus conhecimentos, sabem como antecipar um efeito, que para os vulgares, parecerá um milagre.”

A Goécia de Lemegeton do Rei Salomão.

“Quando ocorre a Magick simpática em sua forma não adulterada, na natureza ocorre o que chamamos de “um sucesso atrás do outro” necessário e invariável sem a intervenção de qualquer agente espiritual ou pessoal. Assim seu conceito fundamental é idêntico com o da ciência moderna, todo sistema é uma fé, implícita, mas real e firme, na ordem e uniformidade da natureza. O Mago não duvida que as mesmas causas sempre produziram os mesmos efeitos, que a execução de uma cerimônia adequada acompanhada com uma conjuração apropriada inevitavelmente atenderá o resultado desejado, e isso, é claro, se seu encantamentos não forem anulados por forças mais potentes que a do Mago em questão. Ele não suplica a um poder ou força mais elevada, ele não busca o favor de nenhum ser “raro”: Ele não se ajoelha diante de nenhuma divindade. Mas seu poder, grandioso como ele crê que é, não é arbitrário ou ilimitado. Ele só pode o aplicar enquanto se mantenha dentro das regras de sua arte, ou o que podemos chamar de Leis da Natureza como são conhecidas. A negligência nestas regras, a ruptura destas Leis, inclusive nas formas mais diminutas, significa fracasso e inclusive pode expor o praticante com pouca experiência aos poderes perigosos. Ele, se proclamando soberano à natureza, é só uma “soberania constitucional”, rigorosamente limitada em seu campo, exercitando-a na exata conformidade de seu antigo uso. Como se pode ver, a analogia entre os conceitos Mágicos e científicos do mundo são muito parecidos. Nos dois casos, a sucessão de sucessos é perfeitamente regular e segura, estando determinada por Leis imutáveis, e suas operações podem ser calculadas e previstas. Os elementos do capricho, de casualidade e de acidentes são abolidos do curso da natureza. Os dois abrem uma grande visão de possibilidades e aquele que conhece as causas das coisas, pode trocar os mecanismos secretos que põem e movimento o grandioso e delicado mecanismo do mundo. Esse é o motivo pelo qual a Magick e a ciência atraem a mente humana, o estímulo que ambas dão a busca do conhecimento. Eles atraem aqueles que buscam respostas, ao buscador amargo a seguir pelo deserto de enganos do presente com suas promessas de incessantes de futuro: são capazes de conduzir qualquer buscador ao alto de uma montanha para encontrar o ensinamento, mais além das nuvens negras e da neve vibrante abaixo de seus pés. Uma pequena visão da Cidade Celestial pode ser, muitas vezes, mais radiante em esplendor que qualquer sonho terrestre humano.”

– Dr. J.G. Frazer, The Golden Bough

“Até agora, como o desenvolvimento da Magick em nível público tem sido o caminho pelo qual homens têm passado para chegar ao poder supremo, vemos sua contribuição para a emancipação da humanidade da escravidão da tradição, para elevá-los a uma vida mais grandiosa, mais livre, com uma mentalidade aberta sobre o mundo. E quando recordamos que a Magick abre o caminho para ciência, estamos fadados a dizer que se as artes negras fizeram mal, também deram origem ao bem, que se elas são as filhas do erro, também são as mães da liberdade e da verdade.”

Ibid.

“Demonstra todas as coisas; mantém o que é bom.”

São Paulo

“Também os mantras e os encantamentos; o obeah e o wanga; o trabalho da baqueta e o trabalho da espada: estes ele aprenderá e ensinará.”
“Ele deve ensinar; mas ele pode fazer os ordálios severos.”
“A palavra da Lei é Θελημα.”

O Livro da Lei


Este livro é para
TODOS:
para cada homem, mulher e criança.

Meu trabalho anterior foi mal compreendido, e sua divulgação foi limitada pelo meu uso de termos técnicos. Atraiu muitos diletantes e excêntricos, débeis buscando na “Magick” um escape da realidade. Eu mesmo fui atraído ao assunto desta forma. Têm repelido muitas mentes práticas e científicas, as que eu mais desejara influenciar.

Mas
MAGICK
é para
TODOS.

Eu escrevi este livro para ajudar ao banqueiro, o pugilista, o biólogo, o poeta, o marinheiro, o comerciante, a operária da indústria, o matemático, a estenografa, o jogador de golfe, a esposa, o cônsul – e todos mais – a se realizarem por completo, cada um e cada uma em sua própria função.

Deixem-me explicar em poucas palavras como foi que eu concebi a palavra
MAGICK
no estandarte que tenho carregado diante de mim durante toda minha vida.

Antes de chegar à adolescência, eu já estava cônscio de que era a Besta, cujo número é 666. Eu não compreendia de forma alguma o que isto significava, era apenas um apaixonado senso de identidade.

No meu terceiro ano na Universidade de Cambridge eu me dediquei conscientemente à Grande Obra, compreendendo por isso a Obra de me tornar um Ente Espiritual.

Eu experimentei dificuldade em achar um nome que definisse minha Obra, bem como ocorrera com H.P. Blavatsky alguns anos antes. “Teosofia”, “Espiritualismo”, “Ocultismo”, “Misticismo” – todas estas designações sugeriam conotações indesejáveis.

Eu escolhi, portanto, o nome
“MAGICK”
como em essência ao mais sublime, e na atualidade do mais desacreditado de todos os termos ao meu dispor.

Eu jurei reabilitar o nome
MAGICK,
e identificá-la como minha própria carreira, compelir a humanidade a respeitar, amar e confiar naquilo que eles escarneciam, odiavam e temiam. Eu cumpri minha palavra.

Mas o momento está chegando de conduzir o meu pendão ao centro da vida dos homens. Eu devo tornar a
MAGICK
o fator essencial da vida de
TODOS.

Apresentando este livro ao mundo, eu devo explicar e justificar minha posição formulando uma definição de
MAGICK
e definindo seus princípios fundamentais de tal forma que
TODOS
possam compreender instantaneamente que suas almas, suas vidas, em qualquer relação com o outro ser humano, em qualquer circunstância, dependem da
MAGICK
e da reta compreensão e reta aplicação desta.

Magick é a Ciência e a Arte de causar Mudanças de acordo com a Vontade.

(Ilustração: é meu desejo informar ao mundo certos fatos do meu conhecimento. Eu, portanto, tomo as “armas Mágicas”, caneta, tinta e papel; escrevo “encantamentos” estas frases em linguagem Mágica, isto é, a qual é entendida por pessoas que desejo instruir. Invoco “espíritos” tais como tipógrafos, editores, livreiros, e assim por diante, e os instruo a passar minha mensagem àquelas pessoas. A composição e distribuição é um ato de Magick pelo qual provoco Mudanças de acordo com minha Vontade.) 1)

Qualquer mudança que se queira, pode ser conseguida com a aplicação da Força do tipo e Grau próprios, de maneira apropriada, através de meio adequado ao objeto desejado.

(Ilustração: Desejo preparar um grama de Cloreto de Ouro. Preciso pegar o tipo certo de ácido, nitrohidroclorídrico e nenhum outro, na quantidade suficiente e com energia adequada, e colocá-lo em um recipiente que não se quebrará, ou que possa haver corrosão, de tal maneira que não produza resultados indesejáveis, com a quantidade suficiente de ouro, e assim por diante. Toda mudança tem suas próprias condições. No presente estado de nosso conhecimento e poder, algumas mudanças não são possíveis na prática; não podemos causar eclipses, por exemplo, ou transformar chumbo em lata, ou gerar homens a partir de cogumelos. Mas é teoricamente possível provocar em qualquer objeto, qualquer mudança da qual este objeto é capaz por natureza; e as condições são descritas no postulado acima).

1) Todo ato intencional é uma ato de Magick. 2)

(Ilustração: Veja a “Definição” acima.)

2) Todo ato bem sucedido enquadra-se ao postulado. 3) Todo fracasso prova que um ou mais requisitos do postulado não foram atendidos.

(Ilustração: Pode haver fracasso em compreender o caso, como quando um médico faz o diagnóstico errado, e seu tratamento prejudica o paciente. Pode haver fracasso em aplicar o tipo certo de força, como quando um selvagem tenta apagar uma lâmpada elétrica com um sopro. Pode haver fracasso em aplicar a quantidade necessária de força, como quando o lutador de luta livre perde a “chave” aplicada em seu oponente. Pode haver fracasso em aplicar a força de maneira certa, como quando alguém apresenta um cheque na janela errada de um banco. Pode haver fracasso em empregar o meio de transmissão adequado, como quando Leonardo da Vinci viu suas obras primas desbotarem. A força pode ser aplicada ao objeto errado, como quando tentamos quebrar uma pedra pensando que é uma noz.)

4) O primeiro requisito para provocar qualquer mudança é através do entendimento qualitativo e quantitativo das condições.

(Ilustração: A causa mais comum de fracasso na vida é a ignorância de nossa própria Verdadeira Vontade, ou dos meios pelos quais aquela Vontade pode ser realizada. Um homem pode se imaginar pintor e, no entanto, fracassar em compreender e medir as dificuldades peculiares àquela carreira.)

5) O segundo requisito para se provocar qualquer mudança é a habilidade prática para se colocar em movimento as forças necessárias.

(Ilustração: Um banqueiro pode Ter um conhecimento perfeito de certa situação, no entanto faltar-lhe a qualidade de decisão, ou o capital, necessários para aproveitar a ocasião.)

6) Todo homem e toda mulher é uma estrela. Quer dizer, todo ser humano é intrinsecamente um indivíduo independente com seu papel e direção próprios.

7) Todo homem e toda mulher tem um curso, dependendo parcialmente do indivíduo e parcialmente do ambiente, que é natural e necessário para cada um. Qualquer um que seja forçado a sair de seu próprio caminho, por não entender a si mesmo ou por oposição externa, entra em conflito com a ordem do Universo, e sofre de acordo.

(Ilustração: Podemos pensar que é nosso dever agir de certo modo, tendo feito uma pintura imaginária de nós mesmos, ao invés de investigar sua Verdadeira Natureza. Uma mulher pode ser infeliz a vida inteira por julgar que ela prefere o amor ao prestígio social, ou vice-versa. Uma pode permanecer com um marido que ela não ama, quando na realidade seria feliz em um sótão com um amante, enquanto outra pode procurar uma aventura romântica quando na realidade seus únicos prazeres são aqueles de presidir a bailes de gala e jantares da sociedade. Os instintos de um menino podem levá-lo para o mar, enquanto seus pais insistem que ele se forme em medicina. Em tal caso, ele será tanto mal sucedido quanto infeliz na medicina.)

8) Um homem cujo desejo consciente disputa com sua Verdadeira Vontade está desperdiçando suas forças. Ele não pode esperar influenciar seu ambiente com eficiência.

(Ilustração: Quando explode uma guerra civil em um país, esse país não se encontra em condições de invadir outros países. Um homem com câncer emprega sua nutrição tanto para seu próprio uso como para uso do inimigo que é parte dele mesmo. Depressa ele se torna incapaz de resistir à pressão de seu meio ambiente. Na vida diária um homem que está fazendo aquilo que sua consciência lhe diz que está errado o fará com muito pouca habilidade. A princípio!)

9) Um homem que faz sua Verdadeira Vontade tem a inércia do Universo para ajudá-lo.

(Ilustração: A primeira condição de sucesso na evolução é que o indivíduo seja fiel à sua própria natureza e ao mesmo tempo se adapte ao seu meio ambiente.)

10) A Natureza é um fenômeno contínuo, embora não saibamos, em todos os casos, como os fatos são conectados.

(Ilustração: A consciência humana depende das propriedades do protoplasma, a existência do qual depende inúmeras condições físicas peculiares a este planeta; e este planeta é determinado por equilíbrio mecânico do universo material inteiro. Nós podemos, então, dizer que nossa consciência está casualmente ligada com as galáxias mais remotas; no entanto não sabemos sequer como ela surge de – ou com – mudanças moleculares no cérebro.)

11) A ciência nos torna aptos a tirar proveito da continuidade da Natureza pela empírica aplicação de certos princípios cuja interação envolve diferentes tipos de pensamentos, conectados uns aos outros de modo além de nossa atual compreensão.

(Ilustração: Nós somos capazes de iluminar cidades usando métodos totalmente pragmáticos. Nós não sabemos o que a consciência é, ou como ela se relaciona com a ação muscular; não sabemos o que a eletricidade é, ou como ela se relaciona com as máquinas que a geram; e nossos métodos dependem de cálculos que envolvem ideias matemáticas que não têm qualquer correspondência no universo tal como nós conhecemos.) 3)

12) O homem ignora a natureza de seu próprio ser e seus poderes. Até mesmo sua ideia e limitações estão baseadas em suas experiências do passado, e cada passo no seu progresso aumenta seu império. E não há, por tanto, razão para se designar limites teóricos ao que se possa ser, ou mesmo o que ele possa fazer.

(Ilustração: Faz apenas vinte e poucos anos, era considerado teoricamente impossível que o homem pudesse chegar a conhecer a composição química das estrelas. Sabemos que nossos sentidos estão adaptados para perceber somente uma fração infinitesimal da escala de vibrações possíveis. Mas instrumentos modernos nos têm habilitado a determinar alguns desses suprassensíveis por meios indiretos, e até a usar suas peculiares qualidades a serviço da humanidade, como no caso dos raios de Hertz e Röntgen. Como disse Tyndall, o homem pode a qualquer momento aprender a perceber e utilizar as vibrações de todos os tipos concebíveis e inconcebíveis. O problema da Magick é o descobrir e empregar forças naturais até agora desconhecidas. Nós sabemos que tais existem, e não devemos duvidar da possibilidade de instrumentos mentais ou físicos capazes de nos colocarem em relação com elas.)

13) Todo homem sabe, mais ou menos, que sua individualidade compreende diversos tipos de existência, até mesmo ele sustenta que seus princípios mais sutis são simplesmente mudanças sintomáticas em seu corpo físico. Preceito similar pode ser estendido a toda Natureza.

(Ilustração: nenhum de nós confunde dor de dentes com deterioração que é sua causa. Objetos inanimados sentem certas forças físicas, tais como condutividade elétrica ou térmica; mas nem em nós e nem neles – tanto quanto sabemos – há qualquer percepção direta consciente destas forças. Influências imperceptíveis estão por tanto associadas com todos os fenômenos materiais; e não há motivo por que não devamos agir sobre a matéria através dessas forças sutis, como fazemos através de suas bases materiais. De fato, nós utilizamos a força do magnetismo para mover o ferro, e a radiação solar para reproduzir imagens.)

14) O Homem é capaz de ser e usar qualquer coisa que percebe; porque tudo que ele percebe é, de certo modo, uma parte de seu ser. Ele pode, desta forma, subjugar todo o Universo do qual ele é ciente a sua Vontade Individual.

(Ilustração: Nós temos usado a ideia de Deus para ditar nossa conduta pessoal, para obter poder sobre os nossos semelhantes, para desculpar nossos crimes, e para inumeráveis outros propósitos, inclusive aquele de nos realizarmos como Deus. Nós temos usado as concepções irracionais e irreais da matemática para nos auxiliar a construir mecanismos. Nós temos usado nossa força moral para influenciar a conduta mesmo de animais selvagens. Nós temos empregado o gênio poético para fins políticos.)

15) Toda força no Universo é capaz de ser transformada em qualquer tipo de força pelo uso dos meios adequados. Há desta forma uma inesgotável fonte de qualquer tipo de força que precisemos.

(Ilustração: O calor pode ser transformado em luz e força quando é usado para impelir dínamos. As vibrações do ar podem ser usadas para matar homens, se as organizamos em um discurso de modo a inflamar paixões guerreiras. As alucinações relacionadas com as misteriosas energias sexuais resultam na perpetuação da espécie.)

16) A aplicação de qualquer força afeta todo tipo de existência que esteja no objeto ao qual ela é aplicada, e qualquer um dos dois tipos é diretamente afetado.

(Ilustração: Se eu firo um homem com uma Adaga, a consciência dele, e não apenas seu corpo, é afetada por meu ato; se bem que a Adaga, como tal, não tem nenhuma relação direta com a consciência dele. Da mesma fora, a força do meu pensamento pode agir de tal maneira na mente de outra pessoa que pode chegar a produzir profundas mudanças físicas nessa pessoa, ou em outras pessoas através dela.)

17) Um homem pode aprender a usar qualquer força, para servir a quaisquer propósitos, tirando proveito dos teoremas acima.

(Ilustração: Um homem pode usar uma navalha para se tornar vigilante sobre sua fala, cortando-se quando deixa escapar uma palavra que se proibiu dizer. Ele pode obter concentração determinando que todo incidente de sua vida lhe recordará alguma coisa particular, fazendo de cada impressão o ponto de partida de uma sequência de pensamentos que termina naquela coisa. Ele pode também devotar todas as suas energias em um particular objetivo, resolvendo não executar coisa alguma que dirija daquele objetivo, e fazer com que todo e cada ato tenda a realização daquele objetivo.)

18) Ele poderá atrair para si mesmo, qualquer força do Universo, tornando-se um receptáculo adequado para isto, estabelecendo a conexão adequada às condições para que a natureza desta força faça fluir através dele.

(Ilustração: Se eu quero beber água pura, eu cavo um poço em um local onde haja água subterrânea; eu calafeto as paredes do poço; e eu tomo vantagem do fato que a água obedece às leis da hidrostática para encher o poço.)

19) O senso que o homem tem de si mesmo como sendo um ser à parte e oposto a alguma coisa, o isola. O Universo é uma barra condutora de energia.

(Ilustração: Um líder popular tem tanto mais sucesso quanto mais se esquece de si mesmo e pensa apenas na “causa”. O amor próprio engendra ciúmes e cisões. Quando os órgãos do corpo declaram sua presença ao consciente, isto é sinal de que estão doentes. A exceção única é o órgão da reprodução. E mesmo neste caso, sua auto asserção é testemunha de sua insatisfação consigo mesmo, pois ele não pode satisfazer sua função senão quando completado por sua contraparte noutro organismo.)

20) O homem pode somente atrair e empregar as forças para as quais ele é realmente apto.

(Ilustração: Você não pode fazer uma bolsa de couro com uma orelha de porco. O verdadeiro cientista aprende de qualquer fenômeno. Mas a natureza é muda para o hipócrita, pois nela nada há de falso.)

21) Não há limite para a extensão das relações de cada homem com o Universo em essência; porque tão logo o homem se faça uno com qualquer pensamento, os meios de meditação param de existir. Mas seu poder em utilizar esta força é limitado por seu poder mental e capacidade, e pelas circunstâncias de seu ambiente.

(Ilustração: Quando um homem se apaixona, o mundo inteiro lhe parece ser amor imanente e ilimitado; mas seu estado místico não é contagioso; seus semelhantes se divertem ou se entediam com ele. Ele pode comunicar aos outros os efeitos que seu amor tem sobre ele apenas através de suas qualidades físicas e mentais. Assim Catullus, Dante e Swinburne fizeram de seus amores uma poderosa alavanca para mover a humanidade em virtude do poder que eles tinham de expressar seus pensamentos sobre o assunto em linguagem musical e eloquente. De novo Cleópatra e outros em posições de autoridade moldaram o destino de muitas outras pessoas ao permitir que o amor influenciasse sua conduta política. O Magista, por mais que obtenha sucesso em estabelecer contato com as fontes secretas de energia na Natureza, pode usá-las apenas no âmbito permitido por suas qualidades intelectuais e morais. O contato de Maomé com Gabriel foi efetivo apenas por causa da habilidade de militar e de estadista de Maomé, e do seu sublime comando de língua árabe. A descoberta de Hertz dos raios que nós agora usamos para a telegrafia sem fio permaneceu estéril até ser refletida através das mentes e Vontades das pessoas capazes de tomar a verdade dele, e transmiti-la ao mundo da ação através de meios mecânicos e econômicos.)

22) Cada indivíduo é essencialmente suficiente a si mesmo. Mas ele é insatisfatório a si mesmo até que estabeleça uma correta relação com o Universo.

(Ilustração: Um microscópio, por mais perfeito que seja, é inútil nas mãos de selvagens. Um poeta, por mais sublime que seja, deve impor-se a sua geração se há de se apreciar, e até de se compreender, como teoricamente deveria ser o caso.)

23) Magick é a Ciência de entender a si mesmo e suas condições. É a arte de aplicar este entendimento à ação.

(Ilustração: Usa-se um bastão de golfe especial para mover uma bola especial de maneira especial em circunstâncias especiais. Um taco do tipo niblick raramente deve ser usado no golfe para se iniciar uma partida, ou um brasie com a inclinação de um areal. Mas também o uso de qualquer tipo de bastão exige habilidade e prática.)

24) Todo homem tem o direito de ser o que é.

(Ilustração: Insistir que qualquer pessoa deve se submeter aos nossos padrões pessoais é ultrajar, não só a outra pessoa, mas nós mesmos, desde que tanto a outra pessoa como nós somos igualmente oriundos da necessidade universal.)

25) Todo homem deve praticar Magick cada vez que age ou pensa, visto que o pensamento é um ato interno cuja influência finalmente afeta a ação, embora isto talvez não ocorra no momento.

(Ilustração: O mínimo gesto causa uma mudança no corpo de um homem e no ar em volta dele; perturba o equilíbrio do universo inteiro, e seus efeitos continuam eternamente através de todo o espaço. Todo pensamento, não importa quão depressa suprimido, tem seu efeito na mente. Permanece como uma das causas de todo pensamento subsequente, e tende a influenciar todo ato subsequente. Um jogador de golfe pode perder alguns metros em sua primeira tacada, um pouco mais com sua segunda e terceira; ele pode lançar a bola no gramado até alguns centímetros de distância do buraco; mas a soma final de cada um destes acidentes insignificantes equivale à perda de uma jogada inteira, e assim, provavelmente, entre a metade e a perda do buraco.)

26) Todo homem tem o direito, o direito da autopreservação, para satisfazer-se ao extremo.

(Ilustração: Uma função imperfeitamente executada agride, não só a si mesma, mas a tudo associado a ela. Se o coração tem receio de bater, com medo de perturbar o fígado, o mesmo fica sem sangue, então se vinga do coração causando perturbações na digestão, que, eventualmente, atrapalha a função respiratória, da qual depende o bem estar do coração.)

27) Todo homem deveria fazer de Magick a chave de sua vida. Deveria aprender suas leis e viver por elas.

(Ilustração: O banqueiro deveria descobrir o verdadeiro significado de sua existência, o verdadeiro motivo que o levou a escolher aquela profissão. Ele deve compreender o processo bancário como um fator necessário na existência econômica da humanidade, ao invés de apenas um negócio cujos propósitos independem do bem estar geral. Ele deveria aprender a distinguir falsos valores dos reais, e agir não de acordo com flutuações acidentais, mas de acordo com considerações de verdadeira importância. Tal banqueiro se provará superior a outros, ele não será um indivíduo limitado por coisas transitórias, mas uma força natural, tão paciente e irresistível quanto as marés. Seu sistema não estará sujeito ao pânico mais do que a Lei dos Quadrados Inversos é perturbada por Eleições. Ele não estará ansioso a respeito de seus negócios, porque eles não serão “dele”; e por este motivo ele será capaz de dirigi-los com a calma e esclarecida confiança de um observador à distância, com sua inteligência imperturbada por interesses pessoais, e seu poder livre de paixão.)

28) Todo homem tem o direito de satisfazer seus desejos sem temer que isto possa interferir com o desejo dos outros; porque se ele estiver em seu caminho, a falha será dos outros caso interfiram com ele.

(Ilustração: Se um homem como Napoleão tivesse sido realmente designado pelo destino para controlar a Europa, ele não deveria ser acusado de exercer seus direitos. Opor-se a ele seria um erro. Qualquer pessoa assim fazendo teria se enganado quanto ao seu próprio destino, exceto quanto à sua necessidade de aprender as lições da derrota. O sol move-se no espaço sem interferência. A ordem da natureza provê uma órbita para cada estrela. Um choque prova que uma ou outra se afastou de seu curso. Mas quanto a cada homem que se mantém em seu verdadeiro curso, quanto mais firme ele age, menos pessoas se intrometem em seu caminho. Seu exemplo ajudá-los-á a encontrar seus próprios caminhos e segui-los. Todo homem que se torna um Magista ajuda outros a fazerem o mesmo. Quanto mais firme e com mais segurança o homem se mover, e quanto mais tal ação for aceita como padrão de moral, menos conflito e confusão atordoará a humanidade.)


Eu espero que os princípios acima expostos demonstrem a
TODOS
que seu bem estar, sua própria existência, estão ligados à
MAGICK.

Espero que eles compreendam, não só a razão, mas também a necessidade fundamental que eu fui encarregado de dar à humanidade.

“Faz o que tu queres há de ser tudo da Lei.”

Espero que eles se afirmem como individualmente absolutos, que eles percebam de fato que é seu direito sem imporem assim, e executarem a tarefa para qual a natureza deles os habilitou. Sim. Mais: Isto é o dever deles, dever não só para consigo mesmos, mas também para com seus semelhantes, um dever fundamentado na necessidade fundamental, que não pode ser negligenciado devido a qualquer casual circunstância momentânea que aparenta colocar tal conduta sob o aspecto de inconveniência ou mesmo e crueldade.

Espero que os princípios acima os auxiliem a compreender esse livro e possibilite que o estudo chegue a ser impossibilitado pela linguagem mais ou menos técnica em que o livro está escrito.

A essência de
MAGICK
é em verdade muito simples. Passa-se com ela o que se passa com a arte de governar. A finalidade desta é simplesmente prosperidade pública; mas a teoria está embaralhada, e a prática emaranhada de espinhos.

Da mesma forma, a
MAGICK
consiste simplesmente em ser e fazer. Eu deveria adicionar “sofrer”. Pois Magick é verbo; e é parte do treino usar voz passiva. Isto, entretanto, é mais uma matéria de iniciação que de Magick no senso ordinário da palavra. Não é minha culpa se “ser” é desnorteante, e “fazer” é desesperador!

Porém uma vez os princípios acima estejam fixados a mente, é bastante fácil resumir a questão. Nós devemos descobrir para nós mesmos, e nós asseguramos além de qualquer dúvida, quem somos, o que somos, e por que somos. Isto feito, podemos formular em palavras a Vontade que está implícita no “porque”, ou antes, podemos formulá-la em Uma Palavra. Estando assim cônscios no curso de ação apropriado, o passo seguinte é compreender as condições necessárias para seguir este curso. Após isto, devemos eliminar de nós mesmos todo elemento estranho ou hostil ao sucesso, e desenvolver essas partes nossas que são especialmente necessárias ao controle das condições previamente mencionadas.

Estabelecemos uma analogia. Uma nação deve se tornar consciente de seu próprio caráter antes que possamos dizer que ela existe. Daquele conhecimento ela deve adivinhar o seu destino. Deve então considerar as condições políticas do mundo: como outros países podem auxiliá-la ou impedi-la. Deve então destruir em si mesma quaisquer elementos discordantes de seu destino. Finalmente, deve desenvolver aquelas qualidades que habilitam combater com sucesso as condições externas que ameaçam se opor ao seu propósito. Nós tivemos um exemplo recente no caso do jovem Império Germânico que, conhecendo a si mesmo e à sua Vontade, treinou e se disciplinou, dessa forma tratou de conquistar os países vizinhos, que o haviam oprimido durante muitos séculos. Mas após 1866 e 1870, 1914! Enganou-se a se considerar sobre-humano, quis uma coisa impossível, fracassou em eliminar seus conflitos e animosidades internas, falhou em compreender as condições de vitória, não treinou para vencer as fronteiras marítimas, e assim, tendo violado todos os princípios da
MAGICK,
foi derrubado e despedaçado por provincialismo e democracia, e nem excelência individual e nem virtude cívica tem sido capazes de elevá-lo novamente àquela unidade majestosa que ousou aspirar à maestria da raça humana.

O estudante sincero descobrirá, atrás das tecnicalidades simbólicas deste livro, um método prático e se tornar uma Magista. Os processos descritos lhe permitirão distinguir entre aquilo que ele na realidade é e as coisas que ele se imaginou ser. Ele deve contemplar sua alma em sua plena e terrível nudez; ele não deve temer ver aquela pavorosa realidade. Ele deve abandonar as vistosas roupagens com que sua vergonha o cobriu; ele deve aceitar o fato que nada pode fazer dele o que quer que seja senão aquilo que ele é. Ele pode mentir para si mesmo, embriagar-se, esconder-se; mas ele está sempre ali. A Magick lhe ensinará que sua mente está o traindo. É como se dissessem que manequins de alfaiate são o padrão da beleza humana, de forma que ele tentasse se tornar informe e inexpressivo com eles, e tremesse de horror à ideia deter seu retrato pintado por Holbein. A Magick lhe ensinará a beleza e a majestade do ente que ele tem tentado suprimir e disfarçar.

Tendo descoberto sua identidade, cedo ele perceberá seu propósito. Outro processo lhe ensinará como tornar aquele propósito puro e poderoso. Ele então aprenderá a avaliar seu meio ambiente e encontrar aliados, como prevalecer contra todos os poderes cujo erro fez com que eles se intrometessem no caminho dele.

No curso deste Treino ele aprenderá a explorar os Mistérios Ocultos da Natureza e a desenvolver novos sensos e faculdades em si mesmo, através dos quais ele poderá comunicar-se com, e controlar, Entes e Forças pertencentes a Ordens de existência que foram até agora inacessíveis à pesquisa profana, e estiveram à disposição apenas da
MAGICK
não científica e empírica (tradicional) que eu vim destruir para que ela pudesse ser cumprida.

Eu envio este livro ao mundo para que todo homem e toda mulher possam tomar as rédeas de sua própria vida e em suas próprias mãos da maneira apropriada. Não importa se a casa carnal presente de qualquer pessoa é o casebre de um pastor; por virtude de minha
MAGICK
ele será um pastor qual foi Davi. Se for o estúdio de um escultor, ele de tal forma esculpirá de si mesmo o mármore que vela sua ideia de que ele se tornará um Mestre não menor que Rodin.

Testemunha minha mão:

ΤΟ ΜΕΓΑ ΘΗΡΙΟΝ (Nwyrt), A besta 666; magus 9° = 2 A∴A∴. que
a Palavra do Æon é Thelema; cujo nome é
V.V.V.V.V. 8° = 3 A∴A∴. na Cidade das Pirâmides;
Ou MH 7° = 4;
Ol Sonuf Vaoresagi 6° = 5; e
….. ….. 5° = 6 A∴A∴. na montanha de Abiegnus; mas
Frater Perdurabo na Ordem Externa da A∴A∴.,
e no mundo dos homens sobre a Terra,
Aleister Crowley de Trinity College, Cambridge.

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Livro 4, Parte 1 · Livro 4, Parte 2 · Magick em Teoria e Prática (Livro 4, Parte 3) · O Equinócio dos Deuses (Livro 4, Parte 4)

Magick – Liber ABA – Livro 4


1)
Em certo sentido a Magick pode ser definida pelo nome dado à Ciência pelo vulgar.
2)
Por “intencional” eu quero dizer “desejado”. Mas mesmo os atos não intencionais tão aparentes não são verdadeiramente assim. Assim, a respiração é um ato da Vontade de Viver.
3)
Por exemplo, expressões “irracionais”, “irreais” e “infinitas”.


Thelema

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  • por John Bell