Liber CXCIV - Uma Intimação com Referência à Constituição da Ordem

O.T.O.
Emitido Por Ordem

XI° O. T. O.

HIBERNIÆ IONÆ ET
OMNIUM BRITANNIARUM
REX SUMMUS SANCTISSIMUS

Qualquer província da OTO é governada pelo Grão-Mestre e por aqueles a quem ele delega a sua autoridade, até que a Ordem seja estabelecida, que é o caso quando se possui onze ou mais Casas-de-Instrução na província. Então a constituição regular é automaticamente promulgada. A citação é ligeiramente adaptada de um discurso em um dos rituais.

1. Esta é a Constituição e Governo de nossa Santa Ordem; pelo estudo do seu Equilíbrio pode-se chegar a apreensão de como governar a sua própria vida. Pois, nas Coisas Verdadeiras, todas são apenas imagens umas das outras; o homem é apenas um mapa do universo, e a Sociedade é apenas o mesmo, mas em uma escala maior.

2. Saiba então que a nossa Santa Ordem tem apenas Três Verdadeiros Graus, como está escrito no Livro da Lei: O Eremita, O Amante, e o Homem da Terra.

3. É apenas por conveniência que esses Graus foram divididos em Três Tríades.

4. A Terceira Tríade consiste dos graus de Minerval a Príncipe de Jerusalém. O grau de Minerval é um Prólogo ao Primeiro; os graus subsequentes ao Terceiro, mas acrescentando a ele. Nisto, a série do Homem da Terra, há então apenas Três Graus; e estes Três são Um.

5. O Homem da Terra não tem participação no Governo da Ordem; pois ele ainda não é chamado a dar sua vida a ele em serviço; e conosco Governo é Serviço, e nada mais. O Homem da Terra, portanto, é em muito a posição do Plebeu em Roma no tempo de Menenius Agrippa. Mas há uma diferença marcante; a de que todo Homem da Terra é encorajado e espera-se que prossiga ao próximo estágio. A fim de que os sentimentos do corpo em geral possam ser representados, os Homens da Terra escolhem quatro pessoas, dois homens e duas mulheres, dentre si, para estar sempre diante da face do Pai, do Rei Supremo e Sagrado, servindo-o dia e noite. Estas pessoas não devem ser de grau superior ao Segundo Grau; devem se voluntariar a este serviço no final dessa cerimônia; e, portanto, renunciam à sua própria perspectiva de avanço na Ordem por um ano, para que possam servir aos seus companheiros. Esta é então a primeira lição do nosso grande princípio, a consecução da honra através da renúncia.

6. O grau de Cavaleiros do Oriente e do Ocidente é apenas uma ponte entre a primeira e a segunda série; mas é importante, pois neste grau um novo juramento deve ser assinado, e o novo Cavaleiro prometeu dedicar sua vida ao Estabelecimento da Lei de Thelema.

7. Os membros do Quinto Grau são responsáveis por tudo que diz respeito ao Bem-Estar Social da Ordem. Este grau é simbolicamente aquele da beleza e harmonia; é o ponto de parada natural para a maioria dos homens e mulheres; pois prosseguir adiante, conforme parecerá, envolve renúncia do tipo mais severo. Então aqui tudo é alegria, paz, bem-estar em todos os planos; o Soberano Príncipe Rosa Cruz está igualmente ligado ao superior e inferior, e forma uma ligação natural entre eles. No entanto, que ele olhe para isso que seus olhos estejam fixos no céu!

8. Neste grau o Mais Sábio Soberano de cada capítulo nomeará uma comissão de quatro pessoas, dois homens e duas mulheres, para organizar todos os encontros sociais, banquetes, bailes, desempenho dos jogos, e prazeres semelhantes. Eles também se esforçarão em promover a harmonia entre os Irmãos de todas as maneiras possíveis, e em compor os litígios de tato e simpatia sem apelo solene sendo feito a qualquer tribunal mais autoritário.

9. O próximo grau, que se situa entre o Quinto e Sexto Graus, é chamado de Senado. Este é o primeiro dos órgãos governantes, propriamente dito, e aqui começamos a insistir na Renúncia. Pois dentro desse corpo está o Colégio Eleitoral da O.T.O.

10. O princípio da eleição popular é uma loucura fatal; seus resultados são visíveis em todas as assim chamadas democracias. O homem eleito é sempre a mediocridade; ele é o homem seguro, o homem são, o homem que desagrada a maioria menos do que qualquer outro; e portanto nunca é o gênio, o homem do progresso e iluminação.

11. Este colégio eleitoral é composto por Onze Pessoas de cada país. Ele tem controle total dos afazeres dos Homens da Terra, nomeando Mestres de Loja à vontade. Contudo não tem nenhuma autoridade sobre os Capítulos da Rosa Cruz.

12. As pessoas que desejam ser nomeadas a esse Colégio pelo Rei Supremo e Santo devem se voluntariar ao cargo. A nomeação é por Onze Anos. Os voluntários devem renunciar por esse período todos os progressos na Ordem. Eles precisam dar provas excelentes de habilidades em

(i) Algum ramo do atletismo.
(ii) Algum ramo do saber.

13. Também devem possuir um profundo conhecimento geral da história e da arte do governo, com alguma atenção à filosofia em geral.

14. Cada um deles deve viver em solidão, sem mais do que a fala necessária até mesmo a vizinhos casuais, servindo-se em todos os aspectos, por três meses de forma contínua, pelo menos uma vez a cada dois anos. O Presidente os convocará nas quatro estações do ano, e se necessário em outras épocas, quando eles deliberarão sobre os assuntos colocados sob sua responsabilidade. Todos os pedidos para passar ao Quinto Grau devem receber a sua sanção. Apelações às suas decisões podem, contudo, ser apresentadas ao Conselho Supremo.

15. O Sexto Grau é um órgão executivo ou militar, e representa o poder temporal do Rei Supremo e Santo. Todo membro é influenciado pela disciplina militar. Isoladamente ou em conjunto com seus camaradas, cada Cavaleiro jura cumprir as decisões da autoridade.

16. O Grau de Grande Inquisidor Comandante segue. Aqui, cada membro tem o direito a um assento no Grande Tribunal, cujo corpo decide todas as disputas e reclamações que não tenham sido compostas pelos Capítulos da Rosa Cruz ou pelos Mestres de Loja. Seu veredictos são sem apelação, a menos que um membro do Colégio Eleitoral dê sanção para levar o caso ao Areópago do Oitavo Grau. Todos os membros da Ordem, até mesmo dos graus mais elevados, estão sujeitos ao Grande Tribunal.

17. O próximo grau é o de Príncipe do Segredo Real. Todos os membros deste grau são devotados à Propagação da Lei de uma forma muito especial; pois esta classe é a primeira em que o início do segredo mais íntimo é declarado abertamente. Portanto por seus esforços pessoais, ele induzirá cento e onze pessoas a ingressar na Ordem, antes que ele possa prosseguir para o Sétimo Grau, exceto por ordem especial do Rei Supremo e Santo.

18. O Sétimo Grau é, na linguagem militar, o Grande Estado Maior Geral do Exército do Sexto Grau. De seus membros o Rei Supremo e Santo nomeia um Supremo Grande Conselho.

19. Este Conselho é encarregado com o governo de toda a Segunda Tríade, ou Amantes. Todos os membros do Sétimo Grau viajam como Soberanos Grandes Inspetores Gerais da Ordem, e reportam, por sua própria iniciativa, ao Supremo e Mais Sagrado Rei, quanto à condição de todas as Lojas e Capítulos; ao Supremo Conselho, sobre todos os afazeres da Segunda Tríade; e ao Colégio Eleitoral, sobre todos os da Terceira.

20. O Oitavo Grau é um Corpo Filosófico. Seus membros estando completamente instruídos nos Princípios da Ordem, salvo em um só ponto, se dedicam à compreensão do que eles aprenderam em sua iniciação. Eles têm o poder de reverter as decisões do Grande Tribunal, e de apaziguar os conflitos entre quaisquer órgãos governantes. E eles fazem isso sobre os grandes princípios da filosofia. Frequentemente ocorrerá para ele que há a disputa entre dois partidos, ambos os quais estão certos de seus próprios pontos de vista. Isto é tão importante que uma ilustração é desejável. Um homem é ferido pela lepra; é certo que os homens devam enquadrar a sua liberdade, isolando-o de seus companheiros? Outro retém terra ou alguma outra necessidade do uso comum; ele deve ser obrigado a renunciar a isso? Tais casos de dificuldade envolvem profundos princípios filosóficos; e o Areópago do Oitavo Grau, é encarregado com o dever de resolvê-los de acordo com os grandes princípios da Ordem.

21. Ante a face do Areópago há um Parlamento independente das Guildas. Dentro da Ordem, independentemente de grau, os membros de cada arte, comércio, ciência ou profissão constituem-se em uma Guilda, fazem suas próprias leis, e exercem seu próprio bem, em todos os assuntos relativos ao seu trabalho e meios de subsistência. Toda Guilda escolhe o homem mais eminente nela para representá-la perante o Areópago do Oitavo Grau; e todas as disputas entre as várias Guildas são discutidas perante esse Órgão, que decidirá de acordo com os grandes princípios da Ordem. Suas decisões passam pela ratificação do Santuário da Gnose, e daí para o Trono.

22. Epoptes e Pontífices deste grau exaltado são obrigados a viver em isolamento durante quatro meses consecutivos em cada ano, meditando sobre os mistérios revelados a eles.

23. O Nono Grau - o Santuário da Gnose - é sintético. O principal dever dos seus membros é o estudo e a prática da teurgia e da taumaturgia do grau; mas, além disso, devem ser preparados para atuar como representantes diretos do Supremo e Mais Sagrado Rei, irradiando sua luz sobre todo o mundo. No entanto, a partir da natureza de sua iniciação, eles devem ocultar a sua glória em uma nuvem de escuridão. Movem-se invisíveis e não reconhecidos entre os mais jovens de nós, sutilmente e soberbamente nos levando aos santos mistérios inefáveis da Verdadeira Luz.

24. O Supremo e Mais Sagrado Rei é nomeado pelo O.H.O. Dele é a responsabilidade final por tudo dentro de seu reino sagrado. A sucessão para o alto cargo de O.H.O. é decidida de uma maneira a não ser declarada aqui, mas isso você pode aprender, ó Irmão Magista, que ele pode ser escolhido até mesmo do grau de Minerval. E aqui jaz um Mistério sagrado.

25. O Colégio Eleitoral possui um poder mais singular. A cada onze anos ou no caso de ocorrer vacância, eles escolhem duas pessoas do Nono Grau, que são encarregados com o dever de Revolução.

26. É o dever dessas pessoas constantemente criticar e opor-se aos atos do Supremo e Mais Sagrado Rei, quer eles concordem pessoalmente ou não. Se ele apresentar fraqueza, física, mental ou moral, eles têm o poder de apelar ao O.H.O. para depô-lo; mas eles, em distinção a todos os membros da Ordem, não são elegíveis à Sucessão.

27. O O.H.O., como a suprema autoridade da Ordem, agirá, em tal emergência, conforme ele achar correto. Ele próprio pode ser destituído do cargo, mas apenas pelo voto unânime de todos os membros do Décimo Grau.

28. Do Décimo Primeiro Grau, seus poderes, privilégios e títulos, nada é dito em qualquer grau. Não tem nenhuma relação com o plano geral da Ordem, é inescrutável, e habita em seus próprios Palácios.

29. Existem certas obrigações financeiras importantes em diversos graus.

30. O Colégio Eleitoral do Senado é toma o voto de pobreza. Todos os bens, rendimentos ou salários são garantidos legalmente ou pagos ao Grande Tesoureiro Geral. Os membros se mantêm da caridade da Ordem, que é estendida a eles de acordo com sua posição original na vida.

31. Essas observações se aplicam igualmente ao Grande Conselho Supremo, e todos os graus mais elevados.

32. No Sétimo Grau é uma qualificação entregar alguma propriedade real à Ordem; e ninguém é admitido a este grau sem essa preliminar.

33. Os membros da Ordem que deram tudo a ela devem obter o dinheiro para suas taxas de iniciação e subscrições da Terceira Tríade, cuja honra é, assim, relacionada ao apoio altruísta daqueles que abandonaram tudo por suas causas.

34. O Grande Tesoureiro Geral é nomeado pelo Supremo e Mais Sagrado Rei, ele pode ser um membro de qualquer grau não importa qual; mas precisa, ao aceitar cargo, fazer o voto de pobreza. Sua autoridade é absoluta em todas as questões financeiras; mas ele responde ao Supremo e Mais Sagrado Rei, e pode ser removido à vontade por ele. Ele nomeará uma comissão para ajudá-lo e aconselhá-lo em seu trabalho; e ele geralmente selecionará uma pessoa de cada um dos órgãos governantes da Ordem.

Esse é um breve resumo do governo da O.T.O. Ele combina a monarquia com a democracia; ele inclui a aristocracia, e esconde também as sementes da revolução, só pelo qual o progresso pode ser efetuado. Assim equilibramos as Tríades, unindo as Três em Uma; assim reunimos todos os fios da paixão e interesses humanos, e os unificamos em uma tapeçaria harmoniosa, sutil e diligentemente com grande arte, que a nossa Ordem possa parecer um ornamento até às Estrelas que estão no Céu à Noite. Em nossa textura das cores do arco-íris nos expomos a glória de todo o Universo - Vede tu, irmão Magista, que o teu próprio fio seja forte, e puro, e de uma cor brilhante em si mesmo, ainda que pronto para misturar-se em toda beleza com aqueles de teus irmãos!

Traduzido por Frater Set Rah em 2011


Thelema

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  • por John Bell