Liber LV A Peleja Alquímica de Irmão Perardua

A Peleja Alquímica de Irmão Perardua

Um relato do Caminho Mágico e Místico na linguagem da Alquimia.

Liber LV A Peleja Alquímica de Irmão Perardua
Sigillum Sanctum Fraternitatis A∴A∴

Publicação da A∴A∴
em Classe C.


Ele mata Sir Argon o Preguiçoso.

Agora Irmão Perardua, embora não passasse de um Zelator da nossa antiga Ordem, estava determinado a realizar o Magnum Opus, e obter para si um grão do Poder, uma gota do Elixir, e a Tintura de Dupla Eficácia. Não havia compreendido totalmente o Mysterium de nossa Arte, por isso ele se impôs ao regime sete vezes doloroso. Pois sem o Sino de Electrum Magicum de Paracelso, como o adepto poderá dar um aviso de sua entrada aos Poderes do Trabalho?

No entanto nosso irmão, sendo de coração forte – pois ele havia sido um soldado em muitas terras distantes – começou logo com alegria. Sua cabeça que era grisalha pela velhice foi coroada com cinco pétalas do lótus branco, como se para indicar a pureza do seu corpo, e saiu para o lugar onde não há campo, nem qualquer sulco ali; e lá ele semeou um pergaminho que tinha vinte e duas sementes diversas.

Ele mata Sir Abjad o Sarraceno.

Nem com todo o seu cuidado e trabalho ele poderia reunir mais de sete plantas, que haviam brilhado na escuridão; e de cada planta brotou uma única flor que tem sete pétalas – alguém teria pensado que eram estrelas; para que não fossem verdadeiramente brilhantes e cintilantes, mas tão negras quanto onde elas cresceram que pareciam tão brilhantes quanto os sóis. E estas foram colocadas uma sobre a outra em uma única linha reta, de acordo com os sete centros da sua intenção, nu sobre ele, na tubulação oca que tem trinta e duas junções.

Ele mata Sir Amorex o Desejoso.

Estas plantas o irmão Perardua colheu, como que ordenando rituais místicos; e estas ele aqueceu furiosamente em seu alambique, mas com calor vegetal somente, enquanto ele os mantinha sempre úmidos, derramando-lhes de sua água lunar, do qual ele tinha três e setenta gotas restantes das oito e setenta que seu Pai havia lhe dado; e estas ele tinha carregado em cima de um camelo pelo deserto até este lugar onde agora estava, que é chamado de Oasis do Leão, mesmo porque o Regime em conjunto final é realizado sob a forma de um Leão.

Então, seu Leão estava fortemente sedento, e lambeu todo o orvalho. Mas o fogo serve igualmente para isso, ele não estava desconfortável.

Ele mata Sir Lionel Warder das Marchas.

Portanto, agora de fato, ele havia realizado a primeira questão para um passo de excelência além do humano; pois, sem problemas foi sua tintura, dessa forma, bonita. Primeiro, ele teve a coroa e os chifres de Alexandre, o rei poderoso; também tinha asas de fina safira; sua parte frontal era como o Leão, segundo o qual, de fato, participa da maior Virtude, e seus quartos traseiros eram como de um touro. Além disso, estava sobre a Esfera Branca e o Cubo Vermelho; e não é possível para qualquer Elixir de ultrapassar isso, a não ser pelo Nosso caminho e trabalho.

Ele mata Sir Merlin o Mago.

Então está nosso irmão Perardua – e agora ele estava certamente hábil no atanor! – determinado a atingir a maior Projeção de nossa arte. Assim, ele sutilmente elaborou um Dragão Vermelho, ou como alguns alquimistas tratam, uma Serpente de Fogo Voadora, a qual ele deve comer até que atinja sua Esfinge, que ele havia alimentado com engenho e cuidado.

Agora, este Dragão Vermelho tem sete espirais de fogo, próprias para as sete estrelas de prata. Também era sua cabeça certamente peçonhenta e gananciosa, e oito chamas estavam sobre ela; pois essa esfinge tinha duas asas e quatro patas e dois chifres; mas a Serpente é um, assim como o Rei é um.

Ele mata o Grande Dragão chamado Curvado ou Retorcido.

Agora, então, esse trabalho está totalmente queimado e anulado nesse calor tremendo que está na boca e na barriga do Dragão; e o que sai dela não é de modo algum o que estava dentro. Mas são esses doze os filhos dos dois e vinte. Então, quando ele havia quebrado a cucurbita, não encontrou nele nenhum traço do sete, mas um botão de ouro fundido – como costumamos dizer, pois não é de ouro…

Agora este botão tem doze faces, e vinte e quatro ângulos salientes e reentrantes; e Nossos irmãos Egípcios chamaram-no de Pavimento do Firmamento de Nu.

Ele mata o Rei Astur das Armas Argentas.

Agora, este metal não é de modo algum semelhante aos metais terrenos; deixem os irmãos bem atentos, para com os muitos falsos escudeiros estrangeiros. Três coisas podem ser de ouro: o ouro mineral do comerciante, que é impuro; o ouro vegetal que cresce da semente do pergaminho pela virtude do Leão; e o ouro animal que provêm do regime do Dragão, e este último é o único ouro negociável do Filósofo. Pois, veja, um Arcano! Conjuro-vos, mantenham este assunto em segredo; pois os irmãos vis, poderiam torná-lo divino, querem perverte-lo.

Este Ouro mineral não pode ser transformado em qualquer outra substância, por qualquer meio.

Este Ouro Vegetal é fluídico; ele deve aumentar maravilhosamente e será fixado na Perfeição da Esfinge.

Mas este nosso Ouro Animal é para este poderoso passo instável, pois não pode aumentar nem diminuir, nem pode continuar a ser o que é, ou o que parece ser. Pois assim como uma gota de vidro resfriado de forma desigual esfacela com um simples toque em uma miríade de partículas finas, assim também com um toque filosófico esse ouro dissolve seu ser, às vezes com uma grande e terrível explosão, às vezes tão suave e sutil que ninguém pode percebê-lo, sendo ele tão agudo como nunca, ou melhor, como uma agulha da agudeza ou da finura de um óculo dos necromantes!

No entanto, aqui jaz o cerne da questão, que nessa explosão citada nada restou, nenhuma das sete ou das doze ou das três sementes Mãe que se encontravam escondidos aí. Mas de uma certa maneira mística as Outras Dez são pressupostas, embora vagamente, como se a Serpente de Bronze tivesse se tornado uma Espada de Relâmpago. Mas isso é somente um símbolo; pois na verdade não existe qualquer ligação ou vínculo entre eles. Pois este ouro Animal passou despercebido; não há nenhum botão deste, nem qualquer pena das Asas da Esfinge, nem qualquer outra marca do Semeador ou da Semente. Mas naquele Relâmpago todos fizeram-se desaparecer completamente, e a Cucurbita e o Alambique e o Atanor foram totalmente desfeitos … e aí surgiu o que ele havia se posto a buscar; sim, muito mais! um grão do Pó e três gotas do Elixir, e seis dracmas da Tintura de Dupla Eficácia.

… No entanto os irmãos zombavam dele; pois ele tinha ameaçado a si próprio de se ferir; de modo que à esta hora tem sido o nome do Perardua esquecido, e os que têm necessidade de falar sobre ele o dizem com certo sabor Non Sine Fulmine.

Traduzido por Mettalph


Thelema

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  • por John Bell